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Diário Popular – 16/março/2000

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Postado em: 10/12/14

 

DIÁRIO POPULAR SÃO PAULO, QUINTA-FEIRA, 16 de março de 2000
HELTON RIBEIRO
A partir do pico da Bandeira, na serra do Caparaó,
é possível avistar até o mar

Se fosse um prédio, teria mais de mil andares. O Pico da Bandeira na Serra do Caparaó (MG) é o terceiro pico mais alto do País, com 2.890 metros de altitude. E não é preciso ser alpinista para atingi-lo.  Com uma caminhada de aproximadamente quatro horas (ou mesmo a cavalo), é possível chegar ao topo e apreciar uma vista panorâmica que inclui várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, além da impressionante cadeia de montanhas e, lá em baixo, um tapete de núvens. Quando o céu está totalmente limpo, avista-se até o mar a 100 quilômetros de distância.O pico é a principal atração, mas não a única do Parque Nacional do Caparaó, quese estende por 25 mil hectares no leste de Minas e sudoeste do Espírito Santo. Os amantes da natureza encontram ali um pouco de tudo: vales, rios, cachoeiras, a densa e úmida vegetação da mata atlântica e a semi-aridez dos campos de altitude , além de outros cumes tão altos como o da Bandeira.A região mais baixa do parque, onde ficam os vales, é rica em flora e fauna. Entre samambaias, bromélias, orquídeas e árvores nobres como jequitibá, peroba e cedro. Vivem gaviões, macacos, quatis, pacas, tamanduás, tatus e até alguns poucos remansecentes de onças e veados.

E como não bastassem todas as atrações do parque, tamb]em há muito que ver fora dele. A começar pela bucólica cidadezinha de Alto Caparaó, que tem apenas 3.400 habitantes. Ela é uma ilha cercada pelas altas montanhas e seu núcleo urbano se encontra em torno da única avenida principal. Um ponto de parada obrigatória é a loja Fruto da Terra, mais conhecida como Artesanato do Júnior, que oferece todo tipo de artesanato da região.

Em torno de Caparaó e da vizinha Pequiá (ES), há cachoeiras como a do Chiador, da Andorinha, do Rio Claro do Egito e do Escorrega. Outros locais que valem a pena conhecer são os alambiques e a fazenda dos Canários, que cria soltos mais de 200 canários da terra, típicos da região.

Após noite gelada, sol deslumbrante
O melhor período para subir ao pico da Bandeira é o inverno, quando chove menos e a visibilidade é maior. Mas é preciso estar preparado para o frio, pois todas as noites, nessa época, a temperatura cai abaixo de zero, podendo chegar a 4 graus netativos. É quando ocorre outro espetáculo: as geadas, que congelam gotas de orvalho e poças d’água.O frio não assusta os mais aventureiros, que acampam no meio da montanha, em uma área chamada Terreirão, para subir de madrugada e ver o nascer do sol, um espetáculo deslumbrante de luz e sombras.
Quem prefere comodidade pode se hospedar em uma pousada em Alto Caparaó e subir ao pico sem escalas, indo e voltando no mesmo dia. Da cidade vai-se de carro (o ideal  é alugar herpes treatment um jipe) até a entrada do parque e de lá ao estacionamento da Tronqueira, num total de 10 quilômetros. A partir da Tronqueira, pode-se subir a pé a trilha de nove quilômetros ou alugar um cavalo, que consegue chegar a poucos metros do topo. Para acampar no Terreirão (que fica a meio caminho entre a Tronqueira e o pico), é útil também alugar uma mula para levar as barracas e a bagagem.Lá do alto avistam-se cidades como Caparaí, Manhuaçu (MG) e Santa Marta (ES), além do pico do Cristal, outro dos mais altos do País, com 2.798 metros. A bandeira do Império, que D. Pedro II mandou fincar no cume quando visitou a região  em 1859 (dando origem ao nome da montanha, não está mais lá; em compensação, foi erguida uma cruz e, no visinho pico do Cruzeiro, um Cristo Redentor.No parque há muitas outras atrações, como os vales Verde e Encantado, com cachoeiras e piscinas naturais, a cachoeira Bonita, com uma queda de 80 metros e um curioso monumento no Terreirão feito com destorços de um avião que caiu na montanha.
Passeio exige planejamento
Planejamento – equipamento adequado e alguns cuidados são importantes para aproveitar a viagem e evitar transtornos. A seguir, uma relação  de procedimentos e equipamentos básicos.Equipamento para a subida ao pico: barraca e utensílios para cozinha, caso deseje acampar no parque; mochila resistente e impermeável;cantil ou garrafa plástica (indispensável no verão); lanternas e pilhas extras principalmente para subida noturna; agasalho (blusa de lã, casaco, luva e touca), mesmo no verão, pois as noites são sempre frias.
Objetos necessários para caminhadas: bermuda ou calça de lycra  ou cotton lycra  (em caso de chuva, jeans e moleton ficam pesados e demoram a secar; tênis ou bota de caminhada, já amaciada e com solado antiderrapante em bom estado, meias (usar dois pares para evitar bolhas), boné ou chapéu; capa de chuva, protetor solar (mesmo no inverno) e manteiga de cacau; papel higiênico; tênis e roupas extra (mesmo não pernoitando no parque, pois, caso chova pode-se depois vestir roupas secas); estojo de primeiros socorros, sacos plásticos para lixo e para embalar roupa ou outros pertences em caso de chuva.Para os passeios às cachoeiras, além da roupa de banho, capa de chuva, boné, protetor solar e, no inverno, agasalhos.
Cuidados básicos
Pessoas com problemas de articulações, cardiovasculares ou pulmonares, gestantes e recém operados não devem ir até o pico ou fazer caminhadas longas. Também não é aconselhável levar crianças menores de sete anos. A subida  ao pico deve ser feita com guia. A administração do parque pede aos visitantes que evitem excesso de barulho, pois isso afastam os animais. Não é aconselhável deixar lixo nos lugares visitados. Se for preciso fazer necessidades fisiológias durante a caminhada, procurar lugares distantes dos cursos d’água. É proibido fazer fogueiras ou fumar nos passeios, pois isso pode provocar incêndios, ou arrancar plantas ou flores e assustar ou alimentar os animais.



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